Sobreviver nas Estradas de Portugal

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Como Sobreviver nas Estradas de Portugal?

Introdução

Que Portugal poderia ser um país maravilhoso, já todos sabemos. Temos boa gente, boa comida, bom tempo, paisagens e natureza maravilhosas.

Recentemente até saiu um estudo que foi feito a nível europeu, que conclui que Portugal até é um dos países com as melhores infraestruturas rodoviárias ! Parece difícil chegar-se a uma conclusão destas, contudo podemos adiantar com certeza, que não foi considerado o fator “portagem” que é bem determinante e limitador. De facto, se considerarmos todas as estradas existentes e as usarmos sem ter em consideração que um português médio não se pode dar ao luxo de o fazer, então poderá ser verdade…

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Ainda assim, as dúvidas são muitas, e passo a partilhar algumas.

Sei que não serei nem o primeiro nem o último a tratar o assunto, e deixo desde já claro, que não sou nenhum técnico oficial certificado sobre a matéria rodoviária.

Por aquilo que se vê nas nossas estradas, ao contrário desses responsáveis pelas Estradas em Portugal, que aparentemente se limitam a fazer estradas, sinalização e legislação de pontos de vista bem teóricos e em parte pouco relacionados com o que realmente acontece nas vias públicas, a minha perspetiva é aquela de quem passa uma boa parte da sua vida nas estradas, com vários milhões de quilómetros conduzidos, não só em Portugal, como em toda a Europa e outros Continentes. Dou-me igualmente ao luxo de utilizar aquilo que me parece ser de “bom senso”.

É então baseado na minha experiência e sensatez pessoal, que passo a descrever as questões que se seguem…

Espero que estes textos contribuam para a melhoria das Estradas de Portugal…

Bem-vindo a Portugal

– carros estrangeiros encostem à direita !

É assim, ou mais ou menos assim, que é recebido quem vem de carro do estrangeiro para Portugal. Com as novas políticas de austeridade e a colocação dos pórticos nas antigas SCUT, no nosso país praticamente deixou de existir autoestradas sem pagamentos diretos, de modo que os carros estrangeiros são obrigados a adquirir um meio de pagamento automático para pagar os pórticos das antigas SCUT.

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Sobre este fato são de salientar vários pontos de interesse…

Em primeiro lugar, sabendo que somos um país que depende muito do turismo, é obviamente de uma enorme falta de gosto e sensatez discriminar todos os carros de matricula estrangeira a encostarem logo à direita, para proceder ao pagamento – de algo que eles nem sequer ainda usaram ! É um pouco como alertar os turistas para o facto de eles terem que pagar para entrar em Portugal, pois parece que é um país tão bom, que custa entrada! Ironia das ironias, como a maior parte destes condutores são europeus, e visto que as autoestradas “SCUT” foram maioritariamente pagas com dinheiro da UE, na realidade eles são agora obrigados a pagar novamente pelo uso das autoestradas que foram construídas com o dinheiro dos seus próprios impostos… Pelo que sei, há processos sobre isso nos Tribunais Europeus… De certeza que ainda pagaremos multas por termos que pagar portagens, e depois as portagens mantém-se na mesma… Á boa maneira dos governantes portugueses…

Que em Portugal seja comum obrigar o povo a pagar várias vezes pelas mesmas coisas que usufruem, já é mau. Fazer isto com estrangeiros é quase abuso, até porque eles não são parvos, apercebem-se, e a consequência evidente, é que, por exemplo, muitos espanhóis, reduziram em muito as visitas ao país vizinho, simplesmente, porque lhes sai demasiado caro. Preferem visitar outras regiões de Espanha, onde chegam rapidamente, sem pagar portagens.

É possível atravessar-se quase toda a Espanha e França em boas autovias, sem se pagar um Cêntimo. Mesmo quando se trata de estradas nacionais de uma faixa, elas estão, geralmente, em bom estado, e pode dizer-se que são uma alternativa às rodovias portajadas. Isso não acontece em Portugal.

As antigas SCUT foram em parte construídas em cima das IP’s, que eram as únicas estradas com condições mínimas de segurança e conforto para viajar. Considerar agora que uma EN 16 é uma alternativa à A 25 ou que a EN 125 seja uma alternativa à Via do Infante (A22), é simplesmente gozar com a vida das pessoas. O mesmo acontece com a EN 109 versus A 29, e todas as outras que nem vale a pena referir.

Não existem alternativas, e mesmo assim, todos são obrigados a pagar – caro. Como sabemos, a razão de tudo isto, não é nem a austeridade nem uma gestão das contas públicas. São sim, negócios ruinosos e até criminosos de PPP’s, nos quais se garante lucros a privados, amigos dos vários Governos portugueses, enquanto que o “Estado”, ou seja nós, continuamos sempre a pagar portagens e impostos para manter a corrupção a funcionar em esplendor…

Resumindo : o comité de boas vindas para os estrangeiros que vêm ao nosso país, é uma conta para pagar… Visto que muitas vezes os turistas não sabem se vão usar as estradas ou não, em caso de dúvida, pagam mais do que usam…

De qualquer das formas, nunca sabem a tempo, visto que a sinalização dos pórticos nas entradas das SCUT estão de tal modo mal colocados, que não se consegue distinguir eventuais troços de autoestrada que não sejam pagos, tal como muitas das vezes, não há opções para fugir a tempo dos pórticos, e de repente, eles aparecem…

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Assim, quem vem por exemplo da A2 de Lisboa para o Algarve, vem ter automaticamente à A22, sendo que para o lado de Albufeira é possível sair sem passar nenhum pórtico, enquanto que na direção de Faro, há um. A indicação para ambos os lados é igual, indicando apenas que se vai entrar numa autoestrada com pórticos. Outros exemplos existem seguramente. A sinalização está incompleta.

Quanto aos preços das SCUT é de ter em consideração que uma autoestrada da BRISA ou qualquer autoestrada de portagem em Espanha ou em França, tem habitualmente vários serviços associados. Assistência em viagem, bermas confortáveis, faixas bem feitas com bom piso, confortáveis áreas de serviço e Parques de Estacionamento, etc. Paga-se, mas tem-se algum serviço extra.

Nas ex-SCUT, nada disso existe. Nem sequer as entradas e saídas correspondem às normas de autoestrada, mas há um fator que é igual : o preço !!!

Acaba por sair ainda mais caro, porque quem não tem forma de pagamento automática, normalmente tem que deslocar-se a uma payshop ou aos CTT, onde, para além das portagens e a chatice de ter que ir pagar, ainda se paga mais uma taxa…

Já me aconteceu de ter ido pagar uma portagem de 0,40 Euros num payshop, que me cobrou quase o dobro desse valor, por causa da taxa de serviço…. Coisas que acontecem… em Portugal.

Na minha opinião, todas as portagens em autoestradas são um erro. Vou detalhar o assunto mais à frente. Contudo, no caso das SCUT, as dúvidas são inexistentes: sem vias alternativas, estes pagamentos apenas atrasam o país a todos os níveis : as pessoas não podem pagar, de modo que claramente perdem liberdade, perdem tempo, perdem produtividade. O risco da sinistralidade aumenta muito consideravelmente, o que se vê no exemplo da EN 125, que voltou a ser uma das Estradas da Morte da Europa… O aumento de tráfico degrada mais rapidamente as estradas gratuitas, o que traz maiores custos para condutores e para o próprio Estado que precisa de repará-las. Seria possível escrever um livro apenas sobre este assunto. Porém, a corrupção na classe do poder, fala mais alto, e enquanto a população não se revoltar a sério, ficamos assim e pior…

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2 comentários

  1. Um artigo que resume tudo o que penso (eu e dezenas de outros emigrantes com quem me relaciono). O que choca, mais do que o facto de pagar, é que a faca e o queijo fica nas mãos de quem cobra e se marimba para o utente: ou damos acesso directo à conta sem garantias nem meios de provar que o que é debitado foi realmente “consumido”, ou resta-nos andar à procura de um serviço (inexistente em certos locais) que queira fazer-nos o jeito de aceitar o pagamento.

    O mesmo acontece na ponte Vasco da Gama, no que diz respeito à forma de pagar a portagem e quando se tem à disposição apenas um cartão visa: o “serviço” proposto ao utente nestes casos é: 1) ir pagar mais tarde aos CTT (e eu que queria visitar outra coisa que as agências dos correios…); 2) encostar à direita ao passar a portagem, “com muito cuidado para não levar com os carros que passam pela via verde que vai ter de atravessar para conseguir encostar à direita” e ir pagar a um multibanco disponivel logo ali (sem comentarios…). Uma obra desta envergadura merecia ter outros recursos…

    Resumindo, Portugal tem potencial para ser um paraiso pela geografia incrivel, pelo clima invejavel, pela gastronomia, pela autenticidade das pessoas. Ha dez anos que vivo no sul de Franca e me confrontei com outras realidades, por isso peso as minhas palavras quando digo isto. Com 37 anos, gostaria de poder considerar um regresso às origens, mas a falta de consideração que o poder tem para com quem o faz viver leva a questionar-me se não sera preferivel amar o pais e viver longe a regressar e detesta-lo.

    Obrigada pelo seu tempo!

    Marta Silva

    PS-a falta de acentos é devida a um teclado azerty não adaptado para escrever em português :)

    • Obrigado pelo comentario e a crítica positiva, Marta.
      Apenas uma ressalva quanto ao “controlo de cobrança”. De facto, fora um ou outro exemplo que envolvia matriculas falsas ou outros enganos, habitualmente parece que a Brisa não costuma cobrar mais do que aquilo que realmente se utiliza. Assim sendo, esse problema da “faca e o queijo na mão”, acaba por não ser tão determinante. Nesse contexto, a EDP é a mais abusiva em Portugal…
      Há outras questões em que a Brisa se livra de forma quase criminal das suas responsabilidades, como por exemplo quando um javali anda na via, provoca um acidente, e a Brisa aproveita o sistema judicial para ir empurrando culpas através dos anos de processo, enquanto que os utentes por vezes têm a vida arruinada…
      Poucas vergonhas é coisa que não falta, neste recanto do mundo…
      Se gostou deste artigo, talvez também goste do livro que eu lancei. Chama-se Choques Mentais e trata vários assuntos da sociedade portuguesa, incluindo algo muito importante : sugestões de como se deve proceder para mudar a situação… :-)
      https://www.facebook.com/choquesmentais

      Cumprimentos para o Sul de França, que eu tanto adoro!
      Eduardo

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