Category Archives: Reflexões

A Dissonância Cognitiva e A Desonestidade Intelectual

A fábula das raposa e das uvas é muito conhecida por exemplificar a dissonância cognitiva. Por ver que as uvas estão alta demais para serem apanhadas, a raposa racionaliza e apenas se convence que as uvas não são boas, resolvendo um conflito de forma simples, para não prolongar o seu sofrimento de não conseguir o desejava.

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Precisamos tomar cuidados, quando na vida, inventamos estórias na nossa cabeça, para criar uma realidade que seja mais alinhada do que o que gostaríamos que o mundo fosse. As nossas perguntas e reflexões devem ser respondidas de forma inteligente, para que não cause ilusões e fantasias longe da realidade.

Cada um de nós tem uma subjetividade, que como o próprio nome propõem, é uma forma individual de interpretar as coisas, subjetiva. Diferente da forma objetiva, representada, nesse caso, pela verdade propriamente dita.

Invariavelmente cometeremos erros de interpretação das coisas, mas o desafio é tentar ter a maior clareza possível sobre os eventos, tentar nos aproximar da realidade. Entrar em pensamentos neuróticos, muitas vezes nos afastam da realidade e nos aproximam de um mundo de faz de conta, os únicos prejudicados com isso, somos nós mesmos.

A negação é um outro mecanismo que pode nos revelar uma certa desonestidade intelectual, negamos e evitamos entrar em contato com certas coisas, nos iludindo, na esperança de achar que as coisas não são o que são.

Quando é possível resolver alguns conflitos mais aflitivos da nossa subjetividade, nós ganhamos liberdade, por vezes tais mecanismos nos prendem a neuroses, paranoias e fantasias. Domar o nosso subconsciente, exercitando a nossa razão, honestamente, sem dúvida, é se desenvolver e criar uma consciência maior.

 

Ciclos Comportamentais

“O pássaro não canta porque está feliz, mas sim está feliz porque canta.” William James

Quando vemos algo que nos motiva e nos desperta um desejo instantâneo de partir para ação, certamente com uma dose de euforia. Nos sentimos transitoriamente fortes, determinados. Então essa euforia vai embora e nos sentimentos culpados por não seguirmos com aquela motivação, podemos nos sentir fracos e sem esperança. E porque isso?

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As pessoas ingenuamente acham que para viverem as vidas dos seus sonhos, precisam de uma energia, um entusiasmo entorpecente, mas isso está muito longe de ser verdade. Não é assim que acontece na mente humana e ter esse pensamento raso e romântico só serve para gerar um mecanismo de culpa e auto-sabotagem. A energia oscila, o humor oscila, a motivação oscila. Bem como a nossa homeostase fisiológica, as nossas características emocionais estão sempre em batalha, tentando atingir uma espécie de equilíbrio. E o erro está em acreditar que é necessário uma série de condições “perfeitas” para entrar em ação. Para fazer alguma coisa. Bom, isso simplesmente não condiz com a verdade.

A verdadeira causa das pessoas com comportamentos e realizações acima da média, conseguirem realizar as coisas, está em uma certa maturidade emocional de simplesmente conseguir entrar em ação, apesar de todos os pesares. Se formos, certamente esperar, por uma “motivação” ou da nossa força de vontade, simplesmente para atingir um objetivo, teremos um fracasso retumbante e isso apenas vai gerar culpa, e a crença na nossa falta de capacidade. Então, ficaremos isolados e quando bater novamente aquela certa inspiração de mudança, e o mesmo acontecer, retroalimentaremos o ciclo, nos auto-sabotando.

Até um ponto, subconsciente, que deixaremos de agir, ou já agiremos de formas a nos limitar, apenas seguindo uma programação mental que definimos.

Como quebrar esse paradigma?

Contar com unicamente com a nossa força de vontade, ou com estímulos externos que nos forneçam uma motivação, nos limita e nos prende à um ciclo vicioso. É muito difícil apenas com a nossa força de vontade, quebrarmos repentinamente padrões consolidados na nossa mente, por décadas a fio. É simplesmente irreal e uma receita certa para fracasso e culpa.

O primeiro passo é então, aceitar as nossas limitações, ao menos iniciais e aceitar que os progressos devem ser feitos de forma calma e tranquila. Quando queremos dar um passo maior que a perna, no primeiro deslize o nosso diálogo interno pode nos criticar e nos culpar, nos paralisando e acabando com a nossa autoconfiança.

Da mesma forma que um músculo é trabalhado, as nossas ações reforçam a nossa capacidade. Só se consegue modificar comportamentos negativos fortemente arraigados nos nossos sistemas, com constância, a constância é muito mais importante que a intensidade. Ela molda e retroalimenta as nossas capacidades, e nos reprogramam de acordo com as nossas ações.

Diminuir ou tentar silenciar a crítica interna e seguir em frente, deixando de lado o perfeccionismo e metas mirabolantes, entendendo as nossas limitações é libertador ao ponto de nos revolucionar como seres.

“Nós somos o que repetidamente fazemos. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito” (Will Durant).

Então qual é o segredo? Nenhum, Não existe nenhum truque, nenhuma fórmula mágica para nos mantermos motivados de forma absoluta, sempre contando com a nossa força de vontade. O que existe, na verdade, é uma clareza, a maturidade. A maturidade que faz alguém acordar cedo para fazer uma atividade qualquer, que mantém a solidez dos comportamentos e essa solidez e constância nos comportamentos, “automatizam” de forma positiva o indivíduo. O contrário também é verdadeiro, podemos entrar no ciclo de maus hábitos, até que eles fiquem tão arraigados nos nossos sistemas nervosos, a ponto de sermos escravos da nossa repetição.

Qualquer tipo de atividade, demanda esforço inicial, como um avião que certamente precisa de uma quantidade enorme de energia para decolar, mas depois, quando no ar, ele não precisa mais dispender essa quantidade absurda de energia.

“O hábito é o melhor dos servos, ou o pior dos amos.” Nathaniel Emmons
 Temos que abandonar certas crenças, idealizadas sobre força de vontade e motivação e simplesmente partir para a ação, usando os pensamentos de forma racional  (mesmo que soe, de alguma forma, artificial no começo) até que o sistema se automatize, para o bem. Até que eventualmente um tema se torne se interessante, que os hábitos consigam revelar de nós, a nossa melhor essência. Quando isso acontecer, da mesma forma que citada anteriormente no sistema de culpa e auto-sabotagem, o sistema se retroalimenta positivamente, gerando autoconfiança e como consequência aumentando a nossa capacidade de agir.
Um efeito bola de neve, quanto melhor, cada vez melhor, quanto pior, cada vez pior.

A subjetividade da percepção humana.

A subjetividade da percepção humana.

É 6 ou é um 9?

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As pessoas experimentam os eventos de maneira diferente, e na verdade nós mesmos sentimos as coisas diferentes de acordo com cada fase da nossa vida, de acordo com o que registramos na nossa mente. Pessoas que tinham medo de escuro não precisam mais ter, necessariamente.

Tudo depende, depende do ponto de vista. Claro que essa relatividade não pode ser utilizada como desculpa para agir de modos pouco convencionais e usar isso como desculpa de comportamentos moralmente e eticamente condenáveis.

O aspecto é como as pessoas criam fobias, sentem mais medos, são mais otimistas, mais pessimistas. Como que isso acontece?

Porque cada pessoa no mundo tem um mapa, que representa a sua realidade, o mapa é uma representação da realidade e por isso ela pode mudar tanto de uma pessoa à outra. Por exemplo o mapa do Brasil é uma representação cartográfica do Brasil ele é usado utilmente para simplificar uma complexidade muito maior do que a que ele representa. Da mesma forma nós também fazemos isso, fazemos as nossas representações da realidade.

Como não é possível assimilar tudo e analisar todo o mínimo detalhe da nossa vida, montamos um escopo, um molde para nos guiar, a partir dos nossos 3 filtros perceptivos:

Generalização:

Generealizamos para simplificar as coisas, se descobrimos uma vez que o fogo queima, aprendemos a agrupar a idéia que precisamos ter cuidado com o fogo, se não poderemos nos ferir, isso realmente é uma coisa que ajudou à nossa sobrevivência, mas precisamos estar atentos para que algumas generalizações não sejam falsas associações ou preconceitos que podem limitar nosso modo de vida.

Omissão:

Omitimos parte das informações que chegam até nós, mesmo porque é impossível processar tudo, dessa forma seletivamente nosso cérebro define coisas a serem deixadas de lado, mas isso pode causar uma percepção que não corresponde completamente aos fatos. Tendemos a nos lembrar mais de críticas do que de elogios e isso pode minar a nossa auto-estima.

Distorção:

Distorcemos algumas informações e fazemos associações mentais que geram uma diferença considerável na percepção. É por isso que algumas pessoas tem certos medos específicos, são mais otimistas ou mais pessimistas, basicamente o que foi coletado foi organizado de uma forma a criar algo subjetivo.

A forma com que enxergamos a vida é um modelo, precisamos ter cuidado para algumas das nossas crenças mais fundamentais e limitantes não serem apenas um modo modificado da realidade que apenas limita de alguma forma nosso modo de ser.

“Um homem não pode entrar no mesmo rio duas vezes” (Heráclito)

A frase acima significa que as águas de um rio corrente modificam a cada momento, e da mesma maneira uma pessoa se modifica, essa plasticidade da vida deve ser entendida, em especial para compreendermos melhor as relações humanas e como cada qual pensa.

A percepção de uma pessoa sobre determinado evento pode ser modificada de diversas formas, quando acontece uma ressignificação no cérebro e muitas vezes é compreender que o “6” e o “9” são a mesma representação numérica dependendo do ponto de vista.

Pode ser sorte ou pode ser azar

Era uma vez um menino pobre que morava na China e estava sentado na calçada do lado de fora da sua casa. O que ele mais desejava era ter um cavalo, mas não tinha dinheiro. Justamente neste dia passou em sua rua uma cavalaria, que levava um potrinho incapaz de acompanhar o grupo. O dono da cavalaria, sabendo do desejo do menino, perguntou se ele queria o cavalinho. Exultante o menino aceitou. Um vizinho, tomando conhecimento do ocorrido, disse ao pai do garoto: “Seu filho é de sorte!” “Por quê?”, perguntou o pai. “Ora”, disse ele, “seu filho queria um cavalo, passa uma cavalaria e ele ganha um potrinho. Não é uma sorte?” “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, comentou o pai.

O menino cuidou do cavalo com todo zelo, mas um dia, já crescido, o animal fugiu. Desta vez, o vizinho diz: “Seu filho é azarado, hein? Ele ganha um potrinho, cuida dele até a fase adulta, e o potro foge!” “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, repetiu o pai.

O tempo passa e um dia o cavalo volta com uma manada selvagem. O menino, agora um rapaz, consegue cercá-los e fica com todos eles. Observa o vizinho: “Seu filho é de sorte! Ganha um potrinho, cria, ele foge e volta com um bando de cavalos selvagens.” “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, responde novamente o pai. Mais tarde, o rapaz estava treinando um dos cavalos, quando cai e quebra a perna. Vem o vizinho: “Seu filho é de azar! o cavalo foge, volta com uma manada selvagem, o garoto vai treinar um deles e quebra a perna.” “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, insiste o pai.

Dias depois, o reino onde moravam declara guerra ao reino vizinho. Todos os jovens são convocados, menos o rapaz que estava com a perna quebrada. O vizinho: “Seu filho é de sorte…”

Assim é na vida, tudo que acontece pode ser sorte ou azar. Depende do que vem depois. O que parece azar num momento, pode ser sorte no futuro.

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Do livro: O Sucesso não Ocorre por Acaso – Dr. Lair Ribeiro – Ed. Objetiva

Penso, Logo Sou

Já percebeu que pessoas que se dizem azaradas realmente são azaradas? Como se explicaria isso? É fácil, o que a gente repete se torna realidade. Existem pessoas muito negativas que repetem mantras em suas cabeças como:

  • As coisas sempre são difíceis pra mim.
  • Sou mesmo muito azarado.
  • Tudo acontece comigo.
  • É só comigo que essas coisas acontecem.

A verdade é que o nosso cérebro começa a se sentir do jeito que nosso estado de espírito está, por isso pessoas que são otimistas disponibilizam em seus sistemas sentimentos positivos e se sentem melhor.

“O pássaro não canta porque está feliz, mas sim está feliz porque canta.”  (William James)

A idéia de ser otimista e pensar com certo otimismo nada tem a ver com devaneios e atitudes conformistas de que as coisas irão cair do céu. Mas, sejamos sinceros, a vida por vezes já é tão hostil, porque potencializarmos os sofrimentos e as inquietações nas nossas cabeças? Sejamos mais dóceis conosco, isso eleva a auto-estima, quando nos tratamos com hostilidade perdemos parte do nosso amor-próprio e começamos a nos auto-sabotar.

Podemos adotar melhores mantras nos nossos diálogos internos, ou também dizer melhores coisas. O nosso cérebro acaba acreditando nas palavras e faz de tudo para entrar em congruência, isto é,  age para alinhar os pensamentos à realidade. Outra questão que frequentemente acontece é a pessoa dizer uma coisa positiva, mas usando a palavra “não”. Como por exemplo: “Não desejo ser azarado”. A maior parte dessa frase dá a idéia de ser azarado, isso porque o “não” é uma pequena palavra, sendo assim é melhor usar frases na afirmativa: “Sou uma pessoa de sorte”.

Funciona assim, quando eu digo para que você não pense em um elefante amarelo, inevitavelmente você pensará em um elefante amarelo. Não é mesmo?

Em um Episódio de “O Chapolin Colorado” intitulado – De médico, Chapolin e louco todo mundo tem um pouco, do ano de 1975, acontece algo interessante. Embora seja um programa de comédia, podemos tirar uma lição muito valiosa sobre os mantras que constituem e moldam o nosso destino. O episódio é sobre dois bandidos, Chinesinho (Carlos Villagràn) que sofre após um assalto apenas escoriações leves e Tripa-Seca interpretado por Ramón Valdez que fica em risco de vida. Chegando no hospital o Chapolin Colorado troca os prontuários e fica repetidamente dizendo que o estava doente está em saúde impecável e o que está bem está moribundo.

No final do episódio o que estava muito doente se recupera completamente e o que estava bem definha e morre. Claro que isso é exagero e é cômico, mas as palavras realmente fazem um tremendo impacto nas nossas vidas.

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Neurociência da Gratidão

Envolvidos na dinâmica “automática” do dia a dia acabamos reclamando e nos frustrando sem parar pra pensar nas coisas boas que acontecem ou nas nossas conquistas. Temos a tendência de nos acostumar com as coisas boas que acontecem e simplesmente não lembramos mais delas, ficamos sempre cada vez mais “resistentes” e esquecemos de ser gratos pela nossa saúde, por ter um teto onde morar, um amigo para compartilhar, um familiar para amar.

Com essa atitude nos sentimos profundamente frustrados e abatidos, com um sentimento de falta de perspectiva. Dominados pelo pessimismo em um circulo vicioso, vence a frustração e a impaciência e assim sem entender os mecanismos que estão por de trás do que acontece em nossas vidas, nos sabotamos e criamos uma atmosfera hostil para que se possa desenvolver e aceitar a vida com mais serenidade e finalmente conseguir ser mais feliz.

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Testes recentes de neurociência comprovam que sentir o sentimento de gratidão ativa no cérebro a área de recompensa, localizado no núcleo accumbens, intimamente ligado ao prazer e ao bem-estar. O sistema de recompensa cerebral é o responsável pelos sentimentos de felicidade e da boa auto-estima, se sentir grato ativa esse sistema e desencadeia sentimentos muito bons para o organismo. Ainda, com a ativação dessa área de recompensa, há a liberação do neurotransmissor dopamina, retroalimentando o sistema e aumentando a sensação de satisfação e felicidade causadas pela gratidão.

Sentir-se grato também auxilia a produção do hormônio ocitocina, o chamado hormônio do amor, o que gera sentimentos de afetuosidade e empatia e nos ajuda a sentir felizes.

As pessoas que sentem freqüentemente gratidão pela vida se sentem mais satisfeitas, serenas, com mais vitalidade e auto-estima do que as pessoas mais amarguradas e frustradas.

Exercitar a gratidão o fará se sentir melhor e trará inúmeras vantagens para a sua vida.

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Letargia e Teoria

 

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Um pássaro necessariamente precisa de duas asas para voar, da mesma forma nós precisamos sincronizar o pensar e o agir. Quem pensa demais pode agir de menos e quem age demais, muitas vezes pode não colocar a devida atenção racional em certas decisões. Da mesma forma que um pássaro voa devemos usar holisticamente nossos aparatos e ferramentas para poder ter uma vida mais satisfatória.

Muitas vezes a teoria, o mundo imaginativo da mente, serve como refúgio criado para nos acalmar, então, vivendo no mundo das nossas cabeças, deixamos de viver no mundo real. Divagamos e viajamos, sonhamos de olhos abertos e ficamos paralisados diante do mundo. As interações se complicam e perdemos a nossa proatividade e a nossa iniciativa.

Algumas pessoas, ao contrário, são mais impetuosas nas suas ações, agem e colocam realmente pouca racionalidade nos seus atos e depois sofrem conseqüências avassaladoras com tais atividades impensadas e imediatistas.

O equilíbrio como forma, no agir e no pensar, para sincronizar ambas as partes de um único sistema, harmoniza a vida. Freqüentemente já temos os recursos necessários, mas preferimos ou ignorar o que sabemos ou ficarmos inseguros. O bom senso normalmente foge das dicotomias e encontra um ponto no meio, ponderado.

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A teoria e a imaginação são excelentes coisas, mas as idéias devem ser colocadas em prática. Quanto vale um tesouro perdido no fundo do mar? A idéia só tem valor se propriamente comunicada.

O Consumo que Consome

“Nossa economia produtiva requer que o consumo se torne nosso modo de vida, a convertermos o ato de comprar e usar bens como rituais, que tenhamos satisfação pessoal e espiritual ao consumirmos. Precisamos consumir, queimar, substituir e descartar em uma velocidade muito rápida.”

Victor Lebow, 1955

Essa profética frase acima que inspirou o American Way of Life, o qual nós brasileiros também seguimos, quer dizer muita coisa. Somos acostumados a usar como termômetro de status social os bens de consumo, marcas, grifes. Associamos padrão de vida e valor à alguém que colabore incessantemente ao consumo.

Nossa necessidade transcendental de ocupar um vazio inerente, cria desejos, esses desejos são consumidos e efemeramente somem como parte de um ciclo sem fim, tão logo outro desejo surgirá e irá embora nos tornando eternos escravos do consumo.

Por si só, tal dinâmica é muito ruim, porque nos tira a liberdade e nos aprisiona a trabalhar para consumir, nos cega e não permite que encontremos a felicidade de modos mais democráticos e mais duradouros. O dinheiro pode ser um ótimo servo ou o pior dos amos.

No filme Clube da Luta de 1999, Tyler Dunder, (Brad Pitt) diz para o personagem de Edward Norton que vive com insônia: “As coisas que você possui acabam possuindo você.”

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Pessoas São Como Jarros

“Pessoas são como jarros, quanto mais vazios, mais barulho fazem”… Alexandre Dumas

Já dizia o provérbio popular, temos dois ouvidos e uma boca. Quando conseguimos estar em silêncio e paz conosco?

Óbvio que viver em isolamento e longe das pessoas é ruim, mas até qual ponto utilizamos o artifício de nos esconder de nós mesmos ou de simplesmente falar e falar pra calar os nossos pensamentos inquietantes.

Se nós próprios muitas das vezes temos dificuldades de estarmos conosco, o que dizer das outras pessoas estarem conosco? O som da música alta e das conversas inflamadas, atenuam nossos pensamentos mais sombrios. Para muitas pessoas é muito difícil conseguir encontrar certa serenidade na sua própria presença.

Pessoas mais sábias não são verborrágicas, em vez, sabem quando falar, o que falar e para quem falar, mas, sobretudo conseguem ouvir e ter uma percepção mais acurada das situações e compreender as nuances leves que determinam os comportamentos.

“Extrovertido é o ser que não suporta o tédio de ficar consigo mesmo.” Arthur Schopenhauer

Muitas vezes preocupados com o que vamos falar, não prestamos atenção no nosso interlocutor e vice-versa. A comunicação humana melhora à medida que nos permitimos ouvir.

Chata não é a pessoa que não fala coisas interessantes, chata é a pessoa que fala coisas que não são interessantes para o seu interlocutor. É certo que se você não gosta de futebol, te aborrece quando alguém começa a falar sobre futebol, mas não é do seu interesse. Para uma outra pessoa aquele assunto poderia ser interessantíssimo, apenas a percepção de que aquele tema seria interessante (unilateralmente interessante) é que na verdade deve ser usada com mais sensatez.

Muitas vezes o silêncio é a melhor música, acalma a alma.

A Ditadura da Felicidade

A maioria das pessoas concorda que não é bom viver sob um regime ditatorial, afinal, o que faríamos com a nossa liberdade? Como as pessoas poderiam se comunicar espontaneamente tendo todos os seus passos vigiados?

É a partir dessa realidade que George Orwell fala de uma sociedade fictícia, na distopia 1984. Aliás, o termo Big Brother vem de lá, a constante vigilância das pessoas e uma agenda nefasta de lavagem cerebral.

Óbvio que hoje nossa sociedade, não está ainda nos moldes que George Orwell escreveu, mas objetivamente, conseguimos nos colocar socialmente de maneira livre?

A tristeza está intimamente e erroneamente ligada ao fracasso, pois as pessoas precisam estar em absoluta felicidade com as suas condições, para sinalizarem sucesso. Nesse sentido, a sociedade do antidepressivo, ansiolítico e do álcool se assemelha mais com outra distopia muito famosa: Admirável mundo novo de Aldous Huxley, onde os habitantes dessa ditadura, no caso, tomam uma droga muito particular, o soma, e assim tem prazer na sua servidão e na suas condições.

Extinguir artificialmente as múltiplas variáveis emocionais que compõem a psique humana é um modo de nos tirar a humanidade. Somos seres complexos que sentem alegrias, tristezas, medos, ciúmes, ansiedade, raiva. Essa é a nossa humanidade, e não há nada de errada na expressão da nossa condição confusa e simplesmente humana.

Somos direcionados a desejar uma felicidade quase que caricata, aristocrática e imatura. Obviamente que inatingível, desta forma, muitos vivem num mundo de aparências, como a fábula do palhaço que é triste, tais pessoas sobem em pedestais para sinalizar uma potencial felicidade que não existe. Em vez, a felicidade é uma condição de serenidade onde se basta o pouco, mas o essencial.

A subjetividade da felicidade se perdeu na sociedade da ostentação e virou um conceito pré-fabricado, como um produto anunciado nas grandes mídias, a felicidade se tornou bem de consumo, ninguém tem a tranqüilidade e paz de conseguir encontrá-la, mas vale a pena dizer ao próximo que encontrou.

É como a história do Rei nu, com as roupas que apenas os inteligentes podem ver. Ninguém quer dar o braço a torcer, a ditadura da felicidade está aí, para consumo.